OPERAÇÃO TOKENS

Operação da PF investiga fraudes no Ibama

Foram cumpridos mandados no Tocantins e mais sete estados

15/09/2020 às 09h11min
Por: Redação // NTocantins - Foto: Reprodução

Uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes dentro do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi deflagrada nesta terça-feira (15).

Segundo a PF, os estelionatários utilizavam dados de servidores do Ibama, para realizar alterações indevidas nos sistemas do Órgão Ambiental Federal, utilizando certificados digitais (tokens) de servidores para para beneficiar donos de terras e empresários que possuíam áreas embargadas, principalmente nos estados do Pará e Mato Grosso.

Foram cumpridos 48 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de beneficiados pelas fraudes, além de cinco prisões. As ações foram realizadas em Goiás, Minas Gerais, Pará, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins.

De acordo com a PF, foram constatados 122 desembargos (desinterdições de propriedade) irregulares em nome 54 pessoas físicas e empresas. A estimativa é de que a fraude tenha causado um prejuízo de R$ 150 milhões para a União, em multas não pagas e descumprimento de embargos em áreas ambientais da Amazônia Legal.

Os fatos investigados podem configurar diversos crimes contra o meio ambiente, além de estelionato, uso de documento falso e alteração de sistemas de dados, descumprimento de ordens de embargos e de possível prevaricação e corrupção, cujas penas variam de reclusão de dois a doze anos e multa.


Imagem: Propriedades beneficiadas por meio de fraude com uso de tokens falsificados


Esquema criminoso

De acordo com as investigações, os crimes foram cometidos por uma quadrilha, com possível "auxílio de servidores públicos". O grupo é suspeito de selecionar funcionários do Ibama que teriam dados violados e documentos falsificados.

De posse dos documentos, os criminosos se passavam pelos servidores e acessavam os bancos de dados do Ibama. Com a invasão, conseguiam realizar o desembargo das propriedades rurais que foram multadas pela fiscalização.

Os criminosos teriam ainda emitido certidões negativas, que são requisitos para obtenção de licenças federais e estaduais, além de financiamentos e empréstimos.


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