Política com Luiz Armando Costa

Como se diz: com o andar da carroça é que as abóboras se agasalham. Cínthia Ribeiro ganhou o apoio do MDB na disputa pela reeleição. Um partido que, ainda que dividido, tem grande capilaridade eleitoral. Decidiu o comando emedebista pelo bom senso, na falta de viabilidade de uma candidatura própria.

Se PDT não coligar-se com PSB, ou PP com o partido de Amastha, ou Podemos não aliar-se a Solidariedade e PL, ter-se-ia, com o PV, oito candidaturas com alguma competitividade a dividir os 180 mil votos da Capital.

E aí, Cínthia Ribeiro, com obras na cidade, se algum assessor não apertar o botão errado e derrubar o avião, tem tudo para lograr êxito no seu projeto de reeleição.

Isto tudo ainda sem o apoio declarado do governo que pode receber do Palácio em função das articulações do senador Eduardo Gomes. Apoio que pode ser declarado pelo Democratas, partido do Chefe do Executivo estadual que teria como argumento não querer desrespeitar decisão partidária.

Um dos possíveis cabeças de chapa da majoritária estadual de 2022 quando Mauro Carlesse pode disputar o Senado e a liderança de uma prefeita de Capital não poderia ser desprezada ou subestimada.

MDB X MDB. O presidente metropolitano do MDB, deputado Valdemar Junior, hipotecou ontem apoio ao candidato do PTB em Porto Nacional, ex-prefeito Otoniel Andrade.

E qual é o busilis: o prefeito da cidade, candidato à reeleição, Joaquim Maia, é filiado justamente no MDB de Porto Nacional. Derrotou Otoniel há quatro anos pelo PV e com o apoio decisivo de ninguém menos que Valdemar.

Valdemar, assim, impõe uma saia justa ao MDB regional. Otoniel é apoiado pelo governador Mauro Carlesse (Democratas) - que presenciou a declaração de apoio do emedebista - mais que adversário, inimigo dos Miranda, que controlam o partido.

Fora o partido seguidor à risca dos estatutos, emitiria uma resolução determinando que seus filiados com mandato devesssem apoiar, obrigatoriamente, os candidatos da legenda.

Mas não o fará. Ademais, Valdemar é da cozinha de Marcelo Miranda e Dulce Miranda. E foi um dos responsáveis, não só pela candidatura mas pela derrota que Joaquim Maia aplicou em Otoniel Andrade em 2016.

Ou seja, Valdemar foi lá e cá.


A prefeitura da Capital quis fazer um giro e obrou um girau. Auxiliares mais espertos que outros no Paço Municipal houveram por bem negar, na última hora, autorização para convenção do Solidariedade na Capital.

O fundamento é uma graça: artigos de um decreto de março de 2020 que proibia aglomerações. De lá até aqui, o Tribunal Superior Eleitoral retificou as regras para as eleições e permitiu convenções nos modelos drive-in e drive-thru.

O Solidariedade pediu no modelo drive-in. E os técnicos da prefeitura deixaram para negar no último dia, escudado em aglomerações. Só se for de carros!!! Vai ver o que passou pela cabeça dos tais.

Resultado: a Justiça Eleitoral, como era esperado, determinou à prefeitura que autorizasse o Espaço público ao Solidariedade na forma pedida para sua convenção.

E Cínthia Ribeiro pode ter entregue um naco de votos ao deputado federal Eli Borges, cujo papel de vítima foi carimbado pela Justiça Eleitoral.

Eli que foi o deputado federal com maior votação em Palmas nas eleições de 2018. Obteve quase o dobro do segundo lugar, com 16.554 votos dos 48 mil que teve em todo o Estado, sendo retirados em Palmas.

 O MDB decidiu marcar sua convenção para a próxima terça, dia 15. O partido continua embalado em poesia: 15 é o número da legenda.

No partido, até aqui, tem prevalecido tanto o seu ethos como o pathos. Não se pode dizer que, sob sua natureza, não seja coerente.

Pode definir-se na terça pela candidatura do deputado Valdemar Junior. Uma proposição que não faz muito era, por motivos óbvios, rechaçada pelo parlamentar mais preocupado com sua reeleição no Legislativo do que com as conhecidas intrigas internas emedebistas.

E continua tendo motivos para tal. O MDB apostou na candidatura de Raul Filho para não conceder, tudo indica, protagonismo político a emedebista fora do circuito MMDD (Miranda/Marcelo/Dulce/Derval). Nilton Franco foi um ponto fora da curva justamente porque não os ameaçava. Ficou no comando regional até o grupo achar que precisava.

Valdemar, ainda que presidente metropolitano (e considerada cria dos Miranda) defendia abertamente (nos bastidores) uma composição com Cínthia Ribeiro. O MMDD queria Dulce, impossibilitada pela cassação e prisão do marido. O lance de Raul foi apenas para passar o tempo. Sem Dulce, nada feito.

Nada mais sintomático que, na mesma semana, Marcelo Miranda decida-se por retomar o comando do partido no Estado, elevando, evidentemente, na sigla, o ativo da deputada federal.

Teve a seu favor a questão Raul (desistência imposta pela lei) que provocou a necessidade de juntar o partido, com a conclusão de que o MDB, então, não teria candidato competitivo fora do grupo, como de fato pode ter sido planejado. E Marcelo (mesmo com prisão e cassação) é ainda a maior liderança do partido no Estado.

Valdemar, assim, pode ser referendado justamente porque não tem capilaridade política (nem recursos financeiros) para bancar uma campanha. Sem condições de competir igualitariamente com os demais adversários. Ou seja, não leva perigo ao protagonismo do comando.  E o MMDD está com bens bloqueados e sob escrutínio diuturno da Justiça Federal.

O deputado pode ser, com efeito, o candidato talhado para perder. Pode até avaliar ganho em função de, candidato, esquentar seu nome para daqui a dois anos. Mas pode atrair também os desgastes.

E o MDB seguirá ereto sob os princípios do irisrezendismo decadente.

Em sete dias (uma semana) expira o prazo de convenções para escolha de candidatos a prefeito e vereador. É quando os partidos definem a chapa proporcional e as coligações da majoritária.

No oposto da inexorabilidade temporal, o PSDB metropolitano segue sem definição de data. Uma indefinição que corre contra porque empurra os possíveis aliados para a insegurança e, nela, forçados a decidir pelo que tem em mãos e menos sujeito a intercorrências.

Nos processos eleitorais (como na vida), com efeito, favorabilidade ou adversidade apresentam-se proporcionais à percepção da sazonabilidade da vontade e do curso das circunstâncias políticas. É nesse campo e território que se armam trincheiras ou desarmam-se alianças consideradas, a priori, indestrutíveis, mas sujeitas, a posteriori, aos efeitos da dúvida.

Pode-se creditar, em não estreita medida, que a situação derive de certa imaturidade política (ou excesso de confianças) do grupo próximo da prefeita Cínthia Ribeiro que estabeleceria, é possível deduzir, como perímetro os resultados de pesquisas de consumo interno. E, como delas prolongamento, seria imutável a reeleição que, como é notório, ainda se move no terreno das possibilidades.

Certificações não faltam. Em 1.996, Raul Filho era, na pré-campanha, favorito absoluto para vencer a União do Tocantins, esteve na frente em todas as pesquisas até pouco depois das convenções. Brigou com a imprensa, assumiu ares de pavão e foi derrotado por Odir Rocha. Nilmar Ruiz era até as convenções nas eleições de 2008 favorita absoluta contra Raul Filho, que tinha uma administração mal avaliada. Deixou de escutar o Democratas para atender o MDB que mandou na sua campanha e terminou com a terceira pior votação.

Luiz Armando Costa

Luiz Armando é jornalista, advogado e colunista político.

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